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Artigos › 17/01/2017

Esforço contínuo

Essa expressão, “esforço contínuo”, faz parte da trajetória de vida de todas as pessoas. Podemos dizer que ela tem diversas dimensões, começando pela luta por uma vida pessoal feliz e com longevidade. Por isso, lutamos contra todo tipo de doença e contra aquilo que fere nossa dignidade e modo de viver. Ao lado da vida, procuramos também defender uma dimensão de fé e espiritualidade.

Para o cristão, não importando o tipo de trajeto feito, existe sempre o esforço de seguimento do caminho proposto por Jesus Cristo. Não é fácil renunciar propostas secularizadas para seguir àquelas anunciadas pelo Evangelho, que supõem “deixar tudo” para seguir o Mestre. É uma questão de discernimento e de defesa de uma fé comprometida com as realidades da dignidade da vida.

O esforço contínuo supõe que a pessoa deva abandonar as coisas velhas, ultrapassadas, e assumir com centralidade as novidades da atual cultura, de forma inculturada, sem perder a essência da vida cristã. O alvo da opção fundamental tem que ser Jesus Cristo, configurando nossa vida com a mensagem transmitida por Ele. Jesus é a grande luz que nos tira da escuridão da vida.

A lógica do mundo não entende a proposta de Jesus Cristo. Primeiro não O reconhece como Deus, e descarta a força de sua Palavra. Para Jesus, os últimos são os primeiros, e os cativos devem ser libertados. Jesus pratica o dom da compaixão, e não dá atenção à competição, própria de uma cultura capitalista. Ele age de forma decidida para construir a paz, a igualdade e a justiça.

Numa sociedade em que o direito é de quem tem poder econômico, podemos dizer que a igualdade entre as pessoas é uma ilusão. A verdadeira paz só acontece onde existem verdade, justiça e igualdade. Pelo que vemos no país, estamos distantes dessa realidade, porque muita gente vive à margem de sua dignidade e fica totalmente desprovida das condições mínimas de realização pessoal.

Não bastam discursos sobre a justiça, se o coração dos locutores não se volta para Deus. A igualdade supõe reconhecimento da dignidade e compaixão sobre os últimos da sociedade. O apelo capitalista pelo consumo gera corrupção e atitudes desumanas, mudando o foco da ação humana, que é a verdade. A proposta de Deus é o contínuo esforço para construir uma sociedade fraterna.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba, MG

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