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A Voz do Pastor › 30/08/2016

A Igreja acolhe a Palavra

downloadBento XVI, na Exortação Pós-Sinodal Verbum Domini – sobre a palavra de Deus na vida e na missão da Igreja – precisou muito bem a importância da Palavra: O Senhor pronuncia a sua Palavra para que seja acolhida por aqueles que foram criados precisamente «por meio» do Verbo. O Prólogo do quarto Evangelho apresenta-nos também a rejeição da Palavra divina por parte dos «Seus» que «não O receberam» (Jo 1, 11). Não recebê-Lo quer dizer não ouvir a sua voz, não se configurar ao Logos. Mas, quando o homem, apesar de frágil e pecador, se abre sinceramente ao encontro com Cristo, começa uma transformação radical. Receber o Verbo significa deixar-se plasmar por Ele.  Vemos esboçar-se aqui o rosto da Igreja como realidade que se define pelo acolhimento do Verbo de Deus, que, encarnando, colocou a sua tenda entre nós (cf. Jo 1, 14). Esta morada de Deus entre os homens – a shekinah (cf. Ex 26, 1) –, prefigurada no Antigo Testamento, realiza-se agora com a presença definitiva de Deus no meio dos homens em Cristo”.

Continua o papa: “Considerando a Igreja como «casa da Palavra” deve-se antes de tudo dar atenção à Liturgia sagrada. Esta constitui, efetivamente, o âmbito privilegiado onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida: fala hoje ao seu povo, que escuta e responde. Cada ação litúrgica está, por sua natureza, impregnada da Sagrada Escritura. Como afirma a Constituição Sacrosanctum Concilium, que o próprio Cristo «está presente na sua palavra, pois é Ele que fala ao ser lida na Igreja a Sagrada Escritura». Por isso, constantemente anunciada na liturgia, a Palavra de Deus permanece viva e eficaz pela força do Espírito Santo, e manifesta aquele amor operante do Pai que não cessa jamais de agir em favor de todos».

A reforma litúrgica mostrou os seus frutos, tornando mais rico o acesso à Sagrada Escritura que é oferecida abundantemente sobretudo nas liturgias do domingo. A estrutura atual, além de apresentar com frequência os textos mais importantes da Escritura, favorece a compreensão da unidade do plano divino, através da correlação entre as leituras do Antigo e do Novo Testamento, «centrada em Cristo e no seu mistério pascal».

Assim, a estrutura da Liturgia da Palavra é muito simples. Segundo a Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR), essa parte da liturgia é constituída pelas leituras da Sagrada Escritura e pelos cantos que ocorrem entre elas, sendo desenvolvida e concluída pela homilia. Depois disso, temos a profissão de fé e a oração universal ou oração dos fiéis (cf. IGMR 55).

A partir do Vaticano II temos três livros para as leituras, também chamados Lecionários: o Dominical, o Semanal e o Santoral. Todos esses lecionários abarcam em si a riqueza da palavra de Deus e nos apresentam textos para as diversas circunstâncias, para as diversas festas do ano litúrgico, procurando sempre lançar luzes sobre a nossa vida de fé.

No Dominical encontramos as leituras para todos os domingos do ano litúrgico, que se dividem em ano A (onde se lê o evangelho de Mateus), ano B (Marcos) e ano C (Lucas). Para cada domingo haverá uma seleção de primeira leitura, salmo responsorial, segunda leitura, aclamação e proclamação do evangelho. No Semanal, o lecionário divide a primeira leitura e o salmo responsorial entre ano par e ano ímpar. Somente o evangelho é o mesmo, seja ano par, ou ímpar. No Santoral, esse, como o próprio nome diz, é utilizado nas festas dos santos e santas. Traz sempre leituras, salmos de meditação e evangelhos que nos ajudam a focalizar a vida, vocação e missão de irmãos e irmãs que tomaram posse da graça divina e trilharam o caminho da santificação.

Ainda, pede-se maior cuidado com a proclamação da Palavra de Deus. Como é sabido, enquanto o Evangelho é proclamado pelo sacerdote ou pelo diácono, a primeira e a segunda leitura são proclamadas pelos leitores. Por isso, a necessidade de cuidar, com uma adequada formação, o exercício da função de leitor na celebração litúrgica. É necessário que os leitores encarregados de tal serviço sejam verdadeiramente preparados com empenho. Tal preparação deve ser não apenas bíblica e litúrgica, mas também técnica.

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