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A Voz do Pastor › 21/05/2018

A Santíssima Trindade

Caríssimos irmãos e irmãs.

Às vezes e a todo custo queremos explicar o inexplicável. É o que acontece com a Santíssima Trindade, não é verdade? Antes de tudo, a Trindade Santa é Mistério, mais do que ser entendida deve ser acolhida como mistério: o mistério trinitário.

Ficou registrado nos anais da história eclesiástica este fato da vida de santo Agostinho: Certa vez, passeava ele pela praia, completamente compenetrado, pediu a Deus luz para que pudesse desvendar aquele mistério, quando se deparou com uma criança brincando na areia. Fazia ela um trajeto curto, mas repetitivo. Corria, com uma conchinha na mão, até um pequeno buraco cavado na areia e ali despejava a água do mar. Voltava, enchia a conchinha e despejava novamente. Curioso, perguntou à criança o que ela pretendia fazer. A criança disse que queria colocar toda a água do mar naquele buraco. Então, prontamente, Agostinho tentou explicar-lhe ser impossível realizar o intento. Aí, a criança lhe disse: “É muito mais fácil o oceano todo ser transferido para este buraco, do que compreender-se o mistério da Santíssima Trindade”. E a criança, que era um anjo, desapareceu…

Se não podemos compreender o mistério, ao menos poderemos nos abrir aos ensinamentos bíblicos e ao magistério da Igreja, pois, aquele que conhece tem maiores condições para acolher a divina revelação. Assim, a Trindade Santa deixa de ser objeto de estudo e torna-se motivo de contemplação, admiração e, principalmente, ponto de referência para a sociedade humana e para a vida eclesial.

No Antigo Testamento vislumbramos o Mistério da Trindade, ainda não totalmente revelado. É uma preparação para a revelação da Trindade, onde encontramos três personificações que apontam para uma fé futura: A Sabedoria, A Palavra de Deus, e a Força de Deus. Lá, desde o Primeiro Livro, encontramos passagens que devem nos levar ao acolhimento do mistério: “Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança”  (Gn 1,26); “Deus apareceu a Abraão junto ao Carvalho de Mambré …  Levantando os olhos, Abraão viu na sua frente três homens de pé” (Gn 18,1-2).

O Santo Mistério é revelado no Novo Testamento e é o próprio Jesus quem o revela. Primeiramente revela o Pai: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado. Meu Pai entregou tudo a mim. Ninguém conhece o Filho, a não ser o Pai, e ninguém conhece o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho quiser revelar” (Mt 11,25-27). Depois se revela: “Esta é a vontade do meu Pai: que todo homem que vê o Filho e nele acredita, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,40). Finalmente revela o Espírito Santo: “Essas são as coisas que eu tinha para dizer estando com vocês. Mas o Advogado, o Espírito Santo, que o Pai vai enviar em meu nome, ele ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse.” (Jo 14,25-26).

A Igreja, depositária da fé, elaborou o dogma da Santíssima Trindade e nos apresenta como uma verdade de fé: A Trindade é  Una: não professamos três deuses, mas um só Deus em três pessoas distintas. São distintas entre si por suas relações de origem: “É o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede”[1]; “Tudo é uno neles, lá não se encontra oposição de relação”[2].

Deus é único, mas não solitário, antes de tudo é comunidade de comunhão e amor.

Mons. Ronaldo Francisco Aguarelli

Pároco

 

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