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A Voz do Pastor › 01/01/2018

Conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás de Jesus¹

Caríssimos irmãos e irmãs:

Dentro das festividades natalinas na qual celebramos o nascimento do Menino Jesus encontramos também outras celebrações que marcam o início do ano civil: a Solenidade de Maria, Mãe de Deus em 1º de janeiro, também proclamado Dia Mundial da Paz; a festa do Santíssimo Nome de Jesus, em 3 de janeiro; a Epifania do Senhor e a festa do Batismo de Jesus.

Assim, gostaria de apresentar neste artigo o Santíssimo Nome de Jesus e a história da sua devoção no meio popular, uma vez que o mesmo deve ser invocado, pois neste Nome encontraremos a verdadeira salvação oferecida por Deus. Se Deus mesmo quis dar-lhe o nome é porque ele tinha um grande propósito.

Nas primeiras páginas do evangelho narrado por Mateus encontramos na mensagem do anjo o desejo de Deus em dar ele mesmo o nome para seu filho: “José, filho de Davi, não tenhas medo de acolher Maria como tua esposa, pois o que ela concebeu é obra do Espírito Santo. Dará à luz um filho, a quem tu chamarás de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados² “. E em Lucas encontramos: “O anjo lhe disse: Não temas, Maria, pois gozas o favor de Deus. Vê: Conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás Jesus³ ” e “No oitavo dia, tempo de circuncidá-lo, puseram o nome de Jesus, como o anjo o havia chamado antes que fosse concebido”⁴ .

O próprio Deus revelou o nome a ser imposto ao Verbo Encarnado, para significar a sua missão de Salvador do gênero humano. É um nome grande e eterno, poderoso e terrível, vitorioso e misericordioso, o único que nos pode salvar. É melodia para o ouvido, cântico para os lábios e alegria para o coração.

A devoção ao Santíssimo Nome de Jesus, já arraigada na Igreja desde o seu início, foi pregada e inculcada de modo particular por São Bernardo, por São Bernardino de Sena e pelos Franciscanos, os quais difundiram pequenos quadros trazendo as letras do Nome de Jesus. No caminho para a capela na qual São Felipe orava, em Monte Spaccato, percebem-se algumas inscrições reproduzidas na pedra ao lado do atalho: círculos com a inscrição YHS. Elas foram reproduzidas pelo próprio São Bernardino, pois era sua missão proclamar o Nome de Jesus, e foi daquela forma que ele abreviou o Nome Santo, embora outros o tenham substituído pela forma mais familiar IHS.

Nome de Jesus, em sua forma original hebraica, contém as quatro letras no Nome Impronunciável de Deus revelado no Antigo Testamento.

O Nome revelado a Moisés no Êxodo (Ex 3,14) é apropriadamente escrito apenas com consoantes, YHWH. De acordo com uma tradição de 3.000 anos, não é permitido tentar pronunciá-lo, e ninguém realmente saberia como fazê-lo, mesmo se pudesse ser feito.

Isso porque o Nome, YHWH, não é simplesmente um nome como outro qualquer: ele tem um significado, que é: nosso Deus é Aquele que É, o único Ser essencial, o “fundamento do nosso ser”. Nós apenas existimos por causa Dele. O Nome Inefável expressa que: Ele É e Ele Será. Revelando o Seu Nome a Moisés, Deus revelou algo absolutamente essencial sobre Ele e sobre a Sua relação com o Seu povo. Mas, o Nome se tornou um nome humano, pelo acréscimo das letras hebraicas ‘shin’ e ‘ain’ às quatro originais, produzindo Yehoshuwah; a forma hebraica do nome que conhecemos por Jesus. Assim o Nome Divino se torna um nome humano, o inacessível e impronunciável se torna próximo e familiar. Assim Deus se torna um de nós, e o Nome realmente é “Emmanuel – Deus conosco”.

Nós não podemos pronunciar o Nome do Êxodo, mas nós podemos, e devemos, pronunciar o Nome de Jesus. Por isso, neste tempo santo do natal, celebração da encarnação do Verbo de Deus, possamos invocar o Santíssimo Nome de Jesus e receber dele todas as graças e bênção de Deus reservadas para nós desde a eternidade.

Que as alegrias das festas natalinas produzam em nós e em todos a alegria da salvação.

Mons. Ronaldo Francisco Aguarelli
Pároco

1 Lc 1, 31
2 Mt 1,20-21
3 Lc 1,30-31
4 Lc 2,21

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