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A Voz do Pastor › 01/07/2017

O Preciosíssimo Sangue de Jesus

“Um dos Soldados Abriu-Lhe o Lado com uma Lança e, Imediatamente, Saiu Sangue e Água.”

Caríssimos irmãos e irmãs.

A Igreja dedica o mês de julho à devoção do preciosíssimo Sangue de Cristo, derramado pelo perdão dos nossos pecados. Depois de meditar longamente sobre o Coração misericordioso de Jesus, neste mês, a mãe Igreja deseja que veneremos profundamente o preciosíssimo Sangue do Senhor.

No Antigo Testamento, o Senhor realizou uma aliança com Israel, mediante um rito sangrento. Moisés, depois de apresentar as santas Palavras ao povo, ergueu um altar com doze colunas, conforme o número das tribos de Israel, e ofereceu sacrifícios em honra do Altíssimo. Em seguida, tomou metade do sangue e pôs em vasilhas e a outra metade derramou sobre o altar. Tomando o livro da Aliança, leu-o ao povo, que exclamou: “Faremos tudo o que o Senhor disse e obedeceremos”. Finalmente, Moisés tomou o sangue e aspergiu sobre o povo dizendo: “Eis o sangue da alinça que o Senhor fez conosco, conforme tudo o que foi dito” (Ex 24,3-8).

No Novo Testamento, o próprio Jesus é imolado para salvação de todos. “Não fostes resgatados a preço de coisas corruptíveis, como prata e ouro, mas pelo sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula” (1Pd 1,18-20). Cristo, na última ceia, apresentou o cálice eucarístico como o sangue da Nova Aliança, derramado a favor de muitos, em remissão dos pecados; no alto da cruz, depois de ter expirado, um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água.

A devoção ao preciosíssimo Sangue de Jesus está presente na Igreja, desde o início. Um dos grandes propagadores do culto ao Sangue de Cristo foi são Gaspar del Bufalo (1786-1837), padre, nascido em Roma e canonizado por Pio XII. Afirmava com vigor: “A devoção ao Preciosíssimo Sangue será o meio mais seguro para chegar ao amor de Jesus Cristo”.

O papa João XXIII escreveu na Carta Apostólica “Inde a Primis”, sobre o preciosíssimo Sangue de Cristo: “se infinito é o valor do Sangue do Homem-Deus, e se infinita foi a caridade que o impeliu a derramá-lo, desde o oitavo dia do seu nascimento, e depois, com superabundância, na agonia do horto (cf. Lc 22,43), na flagelação e na coroação de espinhos, na subida ao Calvário e na crucifixão, e, enfim, da ampla ferida do seu lado, como símbolo desse mesmo Sangue divino que corre em todos os sacramentos da Igreja, não só é conveniente, mas é também sumamente justo que a ele sejam tributadas homenagens de adoração e de amorosa gratidão, por parte de todos os que foram regenerados nas suas ondas salutares”. São João Paulo II, em sua Carta Apostólica “Angelus Domini”, repetiu as palavras de João XXIII, e acrescentou: “uma só gota pode salvar o mundo inteiro de qualquer culpa”.

Hoje esse Sangue redentor de Cristo está à nossa disposição de muitas maneiras. Em primeiro lugar, pela fé – somos justificados por esse Sangue ensina são Paulo: “…eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós. Portanto, muito mais agora, que estamos justificados pelo seu Sangue, seremos por ele salvos da ira”[1].Esse Sangue redentor está à nossa disposição, também, no Sacramento da Confissão – pelo ministério da Igreja, o Cristo nos perdoa dos pecados e lava nossa alma com o seu precioso Sangue. Este Sangue está presente na Eucaristia – Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus. “O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo?”[2].

É pela força do sangue de Cristo que os santos e os mártires deram testemunho de fé e chegaram ao céu: “Meu Senhor, tu o sabes. E ele me disse: Esses são os sobreviventes da grande tribulação; lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro”[3].

É pelo Sangue derramado que Ele venceu e se tornou Rei e Senhor: “Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome é Verbo de Deus… Um nome está escrito sobre o seu manto: Rei dos reis e Senhor dos senhores”[4].

Assim como ensinou são João Crisostomo: “entras no coro dos anjos, sejas companheiro dos arcanjos e cantas junto dos serafins […]. Não fazes oração aos homens, mas a Deus”.

Por isso, pela fé, oremos: “Oh! Sangue e Água, que brotastes do Coração de Jesus como fonte de Misericórdia para nós, eu confio em Vós!”.

Mons. Ronaldo Francisco Aguarelli,
Pároco

 

[1] Rm 5,8-9

[2] 1Cor 10,16

[3] Ap 7,14

[4] Ap 19,13-16

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