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A Voz do Pastor › 07/08/2017

“Pedi ao Senhor da messe que envie operários.” (Mt 9,38)

Agosto, tradicionalmente é considerado o mês vocacional. Você sabe por quê? Acredito que não seria muito difícil de responder. Basta olhar para a realidade eclesial e vamos perceber uma enorme carência em todos os sentidos. Há falta de padres, diáconos, religiosos, religiosas, e principalmente de cristãos leigos e leigas comprometidos com a ação pastoral evangelizadora da Igreja.

Confiantes nas palavras de Jesus que disse: “Pedi ao Senhor da messe que envie operários para a messe, pois a messe é grande e os operários são poucos”, queremos refletir sobre um assunto tão importante e atual: Vocação.

Toda vocação contempla ao mesmo tempo um chamado e uma resposta. A vocação tem origem divina. É Deus que chama. Ele chama um povo ou pessoalmente alguém para realizar uma missão. Na história sagrada há inúmeras vocações, dentre elas, destacamos a vocação do Cristo Senhor que veio ao mundo para salvar aqueles que estavam perdidos. (Lc 19,10)

Jesus chamou para si um grupo de pescadores da Galiléia dizendo: “sigam-me, e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mc 1,17). Eles foram chamados, de um modo mais direto, para executar o plano de salvação. Permaneceram com Ele durante três anos e aprenderam Dele “as coisas” do Reino dos Céus. Participaram do seu ministério, ouviram as suas palavras, viram e se admiraram diante dos seus gestos e atitudes. Por isso, após a ressurreição Dele tornaram-se as autênticas testemunhas do seu divino amor. Após a vinda do Espírito Santo revelaram-se destemidos e obedientes ao mandato do Senhor. Assim percorreram o mundo propagando o evangelho da salvação e batizando as pessoas.

Se eles foram às testemunhas do passado, nós somos as do presente, por isso a responsabilidade da missão agora está em nossas mãos. Pois Jesus é o mesmo, ontem, hoje e sempre. (Hb 13,8). Vinculados à família de Jesus pelo sacramento do batismo somos inseridos ao Corpo Místico que é a Igreja. Por isso, não podemos compreender a vocação como algo individualizado, pertencente exclusivamente a uma única pessoa, uma vez que toda vocação é eclesial, para o benefício de toda a Igreja. Mas a vocação também é pessoal, pois necessariamente a pessoa que foi chamada precisa dar a sua resposta. Isto quer dizer que vocacionalmente falando uma pessoa não pode responder em nome da outra pois a resposta deve ser livre, generosa e pessoal.

Mas para que as pessoas possam dar uma resposta verdadeira ao chamado divino é preciso criar um ambiente favorável. Podemos dizer que a resposta vocacional pode começar a ser elaborada a partir de uma constante educação para ouvir a voz de Deus, através da oração, do diálogo com Ele. Mas também é dever da comunidade dos fiéis pedir ao Senhor mais operários, pois, “Se dois ou mais estiverem de acordo sobre qualquer coisa que queiram pedir isso lhes será concedido por meu Pai que está no céu.” (Mt 18,19).

Por isso, gostaria de propor às que nas missas pudéssemos com sabedoria articular as leituras bíblicas com as abordagens vocacionais relacionadas ao mês, por exemplo: dia dos padres, dos diáconos, dos pais, semana da família, dia da vida consagrada e da missão dos catequistas. Na mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações o Papa Francisco pede àqueles que escutem a voz de Cristo, convidando-os a ouvirem e a seguirem Jesus, deixando-se transformar interiormente por Suas palavras e acrescentou; “Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno”.

Mons. Ronaldo Francisco Aguarelli
Pároco

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