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A Voz do Pastor › 09/02/2018

Quaresma: buscar a santidade de vida

Na quarta-feira de cinzas começaremos a preparação para a maior festa cristã, a páscoa. No missal romano encontramos a seguinte oração: “Pecamos, Senhor, porque nos esquecemos de vós. Voltemo-nos logo para o bem… Ouvi-nos, Senhor, tende piedade, porque pecamos contra vós. Ajudai-nos, ó Deus salvador, pela glória do vosso nome libertai-nos”.

Mas de fato, o que é a quaresma? São quarenta dias de jejum, porém, guardemos todos esses dias com alegria. Mas, qual o motivo da alegria e não da tristeza? A nossa alegria é saber que o Cristo Senhor se faz presente em nossa história e carrega-nos consigo para celebramos a sua páscoa, nossa vitória.

A quaresma é caminhada de fé e conversão. É aceitação do chamado de Cristo para tomarmos nossa cruz e segui-lo. “Corramos com perseverança na corrida, mantendo os olhos fixos em Jesus, autor e consumador da nossa fé”. Como escreveu o Papa Bento XVI: “A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal”.

É tempo de penitência, pode-se pensar a quaresma como caminhada de retorno. Ela representa o retorno da humanidade ao paraíso. A entrada já não está barrada: foi reaberta pela cruz de Cristo. É a caminhada da generosidade e do auto-sacrifício. Assim, antes de tudo a quaresma começa em nosso coração – lugar sagrado no qual tomamos as grandes decisões – por isso, cabe a cada fiel pedir em oração: Senhor que queres que eu faça?

A quaresma não perdeu sua relevância ou seu desafio. Em muitos aspectos é mais exigente que no passado, pois, não é fácil aceitar o chamado à conversão do coração, à penitência e renovação. O maior desafio é “julgar” nossas vidas segundo as exigências do evangelho proposto por Jesus. A liturgia quaresmal nos apresenta justamente tal desafio, solicitando-nos tomar seriamente nossas vidas pelas mãos. Quem sabe poderíamos programar nossas atividades cotidianas e participar diariamente da santa missa?

A quaresma é o grande retiro espiritual de toda a Igreja. Na verdade é Deus quem, nessa época de graça e santidade, toma a Igreja pelas mãos, purificando-a e transformando-a “para renovar na santidade o coração dos vossos filhos, instituístes este tempo de salvação”. Portanto, devemos acolhê-la com agrado, com dom precioso de Deus.

A finalidade fundamental da quaresma é a páscoa, uma vez que o mistério pascal está operando nos que se preparam para o santo batismo – os catecúmenos – e nos que renovam sua consagração batismal – os fiéis em Cristo – Assim, o Senhor está atraindo para si todas as pessoas, pois, o Bom Pastor está procurando as ovelhas perdidas trazendo-as para a sua casa.

A quaresma é tempo de renovação. Da língua inglesa, esta idéia fica bem clara: a palavra lent” – quaresmavem do inglês arcaico “lencten”, que significa simplesmente a época da primavera, o tempo do ano em que os dias se prolongam e toda a natureza revive após o sono do inverno. Embalados pela sagrada liturgia, isto é, pelos textos bíblicos busquemos a misericórdia do Senhor, uma vez que Ele nos chama e convoca para a primavera da Igreja através do caminho da santidade de vida. Por isso, aceitemos de bom grado este tempo favorável para a nossa salvação e rezemos com a Igreja: “Senhor, renovai-os com o vosso Espírito”.

A quaresma é, pois, primavera, período de renovação e crescimento na vida do espírito. E com esta renovação, que chegaremos ao ápice a Páscoa da Ceia, a Páscoa da Cruz e a Páscoa na Vida Plena, a Ressurreição do Senhor Jesus Cristo.

Por isso, desejo a todos uma santa e feliz “primavera” quaresmal para a nossa santidade de vida.

Mons. Ronaldo Francisco Aguarelli

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