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A Voz do Pastor › 03/11/2016

Quem quer ir para o céu?

Caríssimos irmãos e irmãs:
Quem freqüenta regularmente as missas celebradas nas diversas igrejas da Paróquia São João Batista já se deparou com esta pergunta: “Quem quer ir para o céu?”. Muitas vezes até parece brincadeira para distrair os pequeninos, mas sinceramente falando foi especialmente para esse momento que fomos criados, para encontrar-se verdadeiramente com o Senhor e experimentar plenamente a felicidade sem fim.
Mas afinal de contas o que é o céu? Certamente, por sua grandiosidade, o céu esteve presente nas mais diversas religiões e mitologias. Cogita-se que o céu tenha sido o primeiro objeto de culto da humanidade. Há vários céus que são mencionados na Bíblia. Haveria o céu que vemos, onde os pássaros voam, onde os relâmpagos brilham e de onde a chuva cai – “E Deus chamou a abóboda: céu”. Há o céu no sentido de firmamento, ou expansão, onde estão o sol, a lua e as estrelas – “Que existam luzeiros no firmamento do céu, para separar o dia da noite e para marcar festas, dias e anos”. Há ainda o céu onde se encontra o trono de Deus – “Não jureis de modo algum: nem pelo céu, que é trono de Deus” , do qual Jesus teria ascendido. Esse seria o céu onde os anjos estão. A Bíblia fala ainda que haverá “novos céus” – “Segundo sua promessa, um novo céu e uma nova terra onde habirá a justiça” . O céu também pode ser chamado de paraíso e é compreendido enquanto “lugar aprazível”. No Novo Testamento, o termo paraíso aparce por três vezes: Na cruz, Jesus disse ao ladrão que estaria com ele no paraíso . Na segunda carte de São Paulo aos corintios encontramos: “foi arrebatado ao paraíso; e ouviu palavras inefáveis, que ao homem não é lícito falar” e ainda em Apocalipse se lê outra passagem: “Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus” .
Porém com a chegada da era científica, todos estes significados religiosos da palavra «céu» e “paraíso” entraram em crise. O céu é o espaço no qual nosso planeta e todo o sistema solar se movem, e nada mais. Conhecemos a ocorrência atribuída a um astronauta soviético, ao regresso de sua viagem pelo cosmo: «Percorri o espaço e não encontrei Deus em lugar nenhum!».
Ousamos o que diz o grande pregador Francisco Catalamessa: Assim, é importante que tentemos esclarecer o que entendemos nós, cristãos, quando dizemos «Pai nosso que estais nos céus», ou quando dizemos que alguém «foi para o céu». A Bíblia se adapta, nestes casos, ao modo de falar popular; mas ela bem sabe e ensina que Deus «está no céu, na terra e em todo lugar», que é Ele quem «criou os céus». Desta forma nós concordamos em dizer que o céu, como lugar da morada de Deus, é mais um estado que um lugar. Quando se fala dele, não tem sentido algum dizer «no alto» ou «abaixo». Com isso não estamos afirmando que o paraíso não existe, mas só que para nós nos faltam às categorias para poder representá-lo. À luz do que dissemos, o que significa proclamar que Jesus «subiu ao céu»? A resposta está no Credo: «Subiu aos céus, e está sentado à direita do Pai». Que Cristo tenha subido ao céu significa que «está sentado à direita do Pai», isto é, que também como homem entrou no mundo de Deus; que foi constituído Senhor e cabeça de todas as coisas. Em nosso caso, «ir ao céu» ou «ao paraíso» significa ir para estar «com Cristo» . Nosso verdadeiro céu é Cristo ressuscitado, com quem iremos encontrar-nos e formar um «corpo» depois de nossa ressurreição, e de modo provisório e imperfeito imediatamente depois da morte. Objeta-se às vezes que, contudo, ninguém voltou do além para assegurar-nos que ele existe de verdade e que não se trata de uma piedosa ilusão. Não é verdade! Há alguém que a cada dia, na Eucaristia, volta do além para dar-nos garantias e renovar suas promessas, se sabemos reconhecê-lo. As palavras do anjo, «homens da Galiléia, por que ficais aqui parados, olhando para o céu?», contêm também uma reprovação velada: não devem ficar olhando para o céu e especulando sobre o além, mas viver à espera do retorno de Jesus, prosseguir sua missão, levar seu Evangelho até os confins da terra, melhorar a própria vida na terra. Ele subiu ao céu, mas sem deixar a terra. Só saiu de nosso campo visual. Ele mesmo nos assegura: «Eis que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo ».
Creiamos! Nossa esperança está em Cristo Jesus o vencedor da morte, o Senhor da vida eterna. Que as celebrações de todos os santos fiéis defuntos nos animem a conquistar o Reino dos Céus.

Um forte abraço,

Pe. Ronaldo Francisco Aguarelli
Pároco

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