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A Voz do Pastor › 04/09/2017

“Quem quiser seguir-me…”

Caríssimos irmãos e irmãs:

Muitas vezes assistindo alguns programas “religiosos” exibidos por determinadas emissoras de televisão dá-se a impressão que a pregação feita por certos dirigentes do culto e o evangelho proclamado por Jesus são completamente diferentes, vão em direções contrárias. Enquanto eles pregam a prosperidade mágica e a solução imediata de todos os problemas, Jesus diz: “Entrai pela porta estreita! Pois larga é a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e muitos são os que entram! Como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à vida, e poucos são os que o
encontram!” (Mt 7,13-14). E continua: “Cuidado com os falsos profetas: eles vêm até vós vestidos de ovelha, mas por dentro são lobos ferozes” (Mt 7, 15).

Portanto é oportuno por ocasião da Festa da Exaltação da Santa Cruz1 e na memória de Nossa Senhora das Dores 2 tratar sobre o valor do sofrimento decorrente do seguimento de Jesus. A partir da contemplação do mistério da encarnação do Filho de Deus entenderemos melhor a importância da presença Dele entre nós. Jesus utilizou a pedagogia da presença para se encarnar na história da salvação, uma vez que Ele teve presença fundamental na implantação do Reino de Deus entre nós. Através da presença divina e humana Ele assumiu em tudo a natureza humana, exceto o pecado. Ao desapegar-se da sua divindade Ele esvaziou-se vivendo plenamente a sua humanidade, escolhendo o caminho da total doação, trilhando uma via de renúncia, mas nunca deixou
de fazer e apontar o cainho para o céu.

Na plenitude dos tempos, há mais de 2000 anos atrás, Deus quis se encarnar na história da humanidade e de fato se encarnou! E nós cremos e professamos que este evento da salvação aconteceu quando o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma jovem de Sião, cujo nome era Maria. Após ouvir atentamente aos apelos de Deus não só para a sua vida, mas principalmente para a humanidade, Ela com liberdade respondeu sim ao divino projeto. (Lc 1, 26-38) Assim, Nela o Verbo se fez carne a habitou entre nós. (Jo 1,14). E aquele doce menino, que recebeu o nome de Jesus, cresceu em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens. (Lc 2, 52) Após ser batizado por João, no rio Jordão, o céu se abriu sobre Jesus e Nele pairou o Espírito Santo de Deus e do céu se ouvia uma voz que dizia: “Este é o meu Filho querido, o meu predileto”. (Mt 3,16-17). Por volta dos trinta anos Jesus começou o seu ministério (Lc 3,23) e num dia de sábado na sinagoga em Nazaré promulgou o seu programa de vida: “O Espírito do Senhor está sobre mim, pois ele me consagrou com a unção para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos presos e, aos cegos, a recuperação da vista; para dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça da parte do Senhor” (Lc 4, 18-19).

Durante o seu ministério público, que durou aproximadamente três anos, Jesus atraiu para si enormes multidões, muitos se tornaram discípulos e discípulas e dentre eles e elas chamou doze, aqueles que Ele quis e deu-lhes o nome de apóstolos (Mt 10,1). Mas também atraiu sobre si olhares e sentimentos de inveja, ciúmes e traição que se transformaram em ações de hostilidades, calúnias e perseguições. Ele mesmo por diversas vezes predisse a sua paixão e ressurreição: “era necessário o Filho do Homem sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e depois de três dias ressuscitar” (Mc 8,3).

Assim diante do “próprio destino” Jesus também traçou os critérios daqueles e daquelas que deveriam segui-lo: “Quem quiser seguir-me, negue a si mesmo, carregue sua cruz e me siga” (Mc 8, 34). Assim, carregar a cruz não é correr atrás dos sofrimentos, isso é simplesmente masoquismo. Mas na ótica cristã é assumir as dificuldades decorrestes do compromisso que assumimos com Ele, o Crucificado e Ressuscitado. É deixar que o projeto de Deus encontre plena aceitação e realização em nós, pois “se o grão de trigo que cai na terra não morre, fica só. Mas, se morre, produz muito fruto” (Jo 12, 24). É alegrar-se no Senhor, pois Ele disse: “Felizes sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exaltai, porque grande será a vossa recompensa nos céus”.

Por isso, não temas os sofrimentos decorrentes do compromisso cristão. Se eles existem é sinal que estamos no caminho certo.

Um forte abraço.
Mons. Ronaldo Francisco Aguarelli
Pároco

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