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Artigos › 23/01/2018

O profeta hoje

Não basta a capacidade de prever o futuro para ser profeta. No Antigo Testamento eles marcaram seu tempo e seu papel, porque falavam de modo confiável, em nome de Deus. Por isso que Jesus foi chamado de “grande profeta”. As suas palavras tinham total credibilidade, não eram distorcidas e nem mal intencionadas. “Este homem era verdadeiramente filho de Deus” (Mc 15,39).

Há uma grande desconfiança no que as pessoas dizem hoje, principalmente quando são políticos, autoridades, ou no mundo dos negócios. Convivemos com duplicidade e sensacionalismo nas palavras. São usados inúmeros formatos para ludibriar a prática da justiça, fazendo com que a inverdade se torne verdade. É o tempo das incógnitas, servindo de base para uma cultura de descarte.

O esvaziamento na força da palavra desabona a identidade das autoridades. Elas deixam de ser sinais de confiança, e passam a dificultar a esperança das pessoas. Mas o povo precisa encontrar nelas a figura de um verdadeiro profeta, pessoas de confiança e de coerência em sua administração. A marca que as define é o interesse pelo bem comum, superando práticas individualistas e pessoais.

É lamentável encontrar profetas falsos, e não é raro vê-los vestidos de ovelhas, mas com atitudes de lobos, de exploração, colocando peso nas costas dos outros. Surgem desse mundo de irresponsáveis os excluídos, as injustiças e a violência. Também os bons e honestos os que, na prática, são verdadeiros profetas, sofrem as consequências, tendo que se sujeitar ao clima de insegurança.

Neste ano de 2018 teremos que votar novamente, mas tirando do cenário político os falsos profetas. Acontece que vendendo a consciência e o voto, cada eleitor se torna também um mau profeta. Está em nossas mãos o peso dessa responsabilidade, principalmente por saber que o voto não tem preço, porque ele representa consequências para o país e para si mesmo.

Sabendo que toda autoridade vem de Deus, ela deve ser porta-voz do bem estar social e da defesa da dignidade da vida. O profeta é aquele que fala com a autoridade de Deus e é abençoado por Ele. Ser Presidente, Governador, Senador, Deputado, é prestar um serviço ao povo, em nome do mesmo povo que os elege, em nome de Deus. Portanto é uma responsabilidade muito grande.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba

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