Carregando ...

Praça da Catedral, s/nº - Centro - CEP: 13400-150 - Piracicaba-SP

(19) 3422-8489
Notícias da catedral › 13/02/2017

Quaresma e a Casa comum

Na quarta-feira, dia primeiro de março, com a Celebração das Cinzas, iniciaremos o Tempo da Quaresma. Os quarenta dias que nos recordam os quarenta dias em que Jesus caminhou pelo deserto e foi tentado (cf. Mc 1, 12- 13), como também os quarenta anos que o povo peregrinou pelo deserto depois de deixarem o Egito (Dt 8,2-5).

Assim, compreendemos que o Tempo da Quaresma é marcado por um período forte e propicio de preparação. E de fato, no decorrer destes quarenta dias que nos separam do Tríduo Pascal, somos convidados a intensificar nossa caminhada de fé por meio dos chamados, exercícios quaresmais: a oração, o jejum e a penitência.

Por isso é importante que dentro de nossas celebrações litúrgicas valorizemos este tempo com suas importantes e fundamentais características, e de modo especial no Brasil, com a Campanha da Fraternidade, que neste ano tem como tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”. O lema é retirado do livro do Genesis 2,15: “Cultivar e guardar a criação”.

O tema da Campanha deste ano nos lembra a Encíclica Laudato Si, sobre o cuidado da Casa Comum, do Papa Francisco, escrita em 2015. No inicio de seu documento, o Papa nos adverte dizendo: “Esta irmã clama contra o mal que lhe provocamos por causa do uso irresponsável e do abuso dos bens que Deus nela colocou. Crescemos a pensar que éramos seus proprietários e dominadores, autorizados a saqueá-la. A violência, que está no coração humano ferido pelo pecado, vislumbra-se nos sintomas de doença que notamos no solo, na água, no ar e nos seres vivos. Por isso, entre os pobres mais abandonados e maltratados, conta-se a nossa terra oprimida e devastada,

que ‘geme e sofre as dores do parto’ (Rm 8, 22). Esquecemo-nos de que nós mesmos somos terra (cf. Gn 2, 7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar, e a sua água vivifica-nos e restaura-nos.” (LS 2).

Dentro deste documento ainda, o Santo Padre nos lembra como os elementos : água, azeite e fogo, se tornam elementos importantes dentro da Liturgia. A água, importante elemento para o Sacramento do Batismo; o azeite que dignamente preparado e abençoado na Cerimonia dos Santos Óleos, passam a ser os Santos Óleos, e serão usados por todas nossas comunidades no decorrer deste ano; e o fogo, grande sinal da chama viva que todos somos convidados a ser, Cristo nos convida a sermos luz do mundo e realizarmos obras que reflitam a nossa adesão ao projeto de Deus (cf. Mt 5,14-16).

Ainda temos a uva e o trigo, dons essenciais para celebramos os Sagrados Mistérios, e o Papa Francisco diz que “a criação encontra a sua maior elevação na Eucaristia. A graça, que tende a manifestar-se de modo sensível, atinge uma expressão maravilhosa quando o próprio Deus, feito homem, chega ao ponto de fazer-Se comer pela sua criatura. No apogeu do mistério da Encarnação, o Senhor quer chegar ao nosso íntimo através dum pedaço de matéria” (LS 236).

A partir de nossa intimidade com a Eucaristia, somos motivados a nos preocupar e a zelar pelo meio ambiente, e nos tornarmos guardiões de toda a obra da criação (cf. LS 236). Por tanto, que no decorrer deste ano, ajudados pela Campanha da Fraternidade e lembrando que a ação litúrgica deve compreender nossas realidades sociais e culturais, possamos fomentar dentro de nossas comunidades, o apreço e o sentimento de pertença sobre o meio ambiente, nossa grande casa comum.

Sem. Mateus Kerches Nicolucci
Coordenador Diocesano da Pastoral Litúrgica

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.