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Artigos › 31/08/2020

A importância da consciência moral

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Um tema importantíssimo, mas pouco tratado hoje é o da consciência em seu aspecto moral. Eis a razão deste artigo que interessa tanto à Filosofia quanto à Teologia.

Antes do mais, importa distinguir dois tipos de consciência: a psicológica e a moral. Entende-se por consciência psicológica “a percepção imediata mais ou menos clara, pelo sujeito, daquilo que se passa nele mesmo ou fora dele” (H. Japiassú; D. Marcondes. Dicionário Básico de Filosofia. 3ª ed. rev. ampl. Rio de Janeiro: JZE, 1999: Consciência). “É a presença do sujeito a si mesmo” (Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Curso de Filosofia. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 2014, p. 445). Quem perde esse contato consigo mesmo e com a realidade que o cerca está, por algum motivo, “fora de si”. Já a consciência moral “é o juízo prático pelo qual nós, como sujeitos, podemos distinguir o bem e o mal e apreciar moralmente nossos atos e os dos outros” (Dicionário Básico de Filosofia). Sim, “é a faculdade pela qual conhecemos o modo como se relacionam nossos sentimentos e atos com a vontade de Deus ou com o Fim Supremo da vida humana” (Dom Estêvão Bettencourt, OSB. Curso de Teologia Moral. Rio de Janeiro: Mater Ecclesiae, 1986, p. 27; cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1778). Fora disso, o ser humano vive ao léu, sem eira nem beira, e pode cometer barbaridades.

Para estar em verdadeira paz com sua consciência moral, o sujeito há de seguir a Lei natural moral dada por Deus e presente no seu íntimo. Ela o convida a sempre praticar o bem e a evitar o mal, conforme ensina o Concílio Vaticano II em termos muito claros: “Na intimidade da consciência, o homem descobre uma lei. Ele não a dá a si mesmo. Mas a ela deve obedecer. Chamando-o sempre a amar e praticar o bem e evitar o mal, no momento oportuno a voz desta lei lhe faz ressoar nos ouvidos do coração: ‘Faze isto, evita aquilo’. De fato, o homem tem uma lei escrita por Deus em seu coração. Obedecer a ela é a própria dignidade do homem, que será julgado de acordo com essa lei. A consciência é o núcleo secretíssimo e o sacrário do homem, onde ele está a sós com Deus e onde ressoa a voz de Deus” (Const. Gaudium et Spes n. 16).

Mais: de acordo com o Papa Bento XVI, “a consciência moral, para ser capaz de orientar retamente o comportamento humano, deve, em primeiro lugar, alicerçar-se no fundamento sólido da verdade, ou seja, deve ser iluminada para reconhecer o verdadeiro valor das ações e a consciência dos critérios de avaliação, de maneira a saber distinguir o bem do mal, também onde o ambiente social, o pluralismo cultural e os interesses sobrepostos não contribuem para isto”. E continua: “A formação de uma consciência autêntica, porque está fundamentada na verdade, e reta, porque determinada a seguir os seus preceitos sem quaisquer contradições, sem atraiçoamentos e sem compromissos, constitui hoje em dia um empreendimento difícil e delicado, mas imprescindível”. Nesse contexto, “é necessário reeducar para o desejo do conhecimento da verdade autêntica, para a defesa da própria liberdade de opção diante dos comportamentos de massa e das seduções da propaganda, para nutrir a paixão pela beleza moral e pela clareza da consciência. Esta é a tarefa delicada dos pais e dos educadores que os acompanham; e é tarefa da comunidade cristã, em relação aos seus fiéis” (Discurso à Pontifícia Academia para a Vida, 24/01/2007).

Também o Papa Francisco recordou, no Angelus de 30/06/13, que “devemos aprender a escutar mais a nossa consciência. Mas atenção! Isso não significa seguir o próprio eu, fazer o que me interessa, o que me convém, o que eu gosto… Não é isso! A consciência é o espaço interior da escuta da verdade, do bem, da escuta de Deus; é o lugar interior da minha relação com Ele, que fala ao meu coração e me ajuda a discernir, a compreender o caminho que devo percorrer, e uma vez tomada a decisão, a ir avante, a permanecer fiel” (Fonte: Zenit, 30/06/13).

Portanto, a consciência moral está alicerçada na Lei natural moral (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 1954-1960) e na incessante busca da verdade (cf. Jo 8,32; Dignitatis Humanae, 2). Não nos esqueçamos desse ensinamento da razão e da fé no nosso dia a dia.

Via Aleteia

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