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A Voz do Pastor › 03/03/2016

“Por que procurais Aquele que vive, entre os mortos? Ele não está aqui, ressuscitou!”

ressurrectionCaríssimos irmãos e irmãs.

A páscoa cristã tem origem na páscoa judaica, a festa da libertação da casa da escravidão, o Egito: “Esse dia será para vocês um memorial, pois nele celebrarão uma festa para o Senhor; vocês celebrarão como um rito permanente, de geração a geração”[1]. Porém, com o advento do Cristo, a páscoa ganha outro significado: é a festa da vitória da graça sobre o pecado, do amor sobre o ódio, da vida sobre a morte: é a celebração da ressurreição de Jesus.

Assim como as santas mulheres esperaram para se dirigirem ao túmulo no dia mais apropriado, nós também esperamos e reavivamos anualmente a festa da páscoa. É uma espera longa, porém, frutuosa e com gosto de santidade. Santo Agostinho deixou-nos um belo pensamento sobre a vigília pascal: “Em recordação, velando nesta noite a sepultura do Senhor, nós velamos no tempo em que ele, por assim dizer, adormeceu”… “na noite em que ele adormeceu, nós velamos a fim de que, pela morte que sofreu, nós vivamos”[2].

Assim a Igreja espera ansiosamente o triunfo total de Cristo a cada ano. Espera que se inicia na penumbra da noite, na vigília pascal.

A Vigília da Páscoa é considerada a “mãe” de todas as vigílias e celebrações. À noite, reunidos em comunidade, esperamos a ressurreição de Cristo: a passagem das trevas para a luz, da noite para o dia e, principalmente, da morte para a vida gloriosa. A passagem, dos fiéis em Cristo, do pecado para a vida divina.

Se a vigília pascal é a mãe de todas as celebrações e todas estão ligadas e interligadas nela e através dela, o domingo ganha a mesma força dentre os dias da semana, pois a cada domingo revivemos a páscoa do Senhor, sua vida, paixão, morte e ressurreição.

Decorridas as celebrações da semana santa entramos no tempo pascal, desde os primeiros séculos o tempo mais feliz do ano, encerrado com o Pentecostes. Tempo em que celebramos a estada do Senhor ressuscitado em meio aos seus discípulos, tempo da comunicação da graça do Espírito Santo. São os cinquenta dias de júbilo, da Ressurreição a Pentecostes, nos quais de modo todo especial se canta o Aleluia, a exultação da Igreja pela glorificação do seu Senhor.

Durante o período pascal façamos como as santas mulheres. Não encontrando o corpo do Senhor no túmulo, mas os dois homens de roupas fulgurantes que lhes disseram: “por que procurais Aquele que vive dentre os mortos? Ele não está aqui, ressuscitou”[3], correram ao encontro dos seus irmãos para relatar o que viram e ouviram, tornando-se as primeiras testemunhas da ressurreição do Senhor.

Experimentemos o que experimentaram os discípulos de Emaús que, durante o caminho, escutaram o Senhor e depois, convidam o “viajante”: “Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já se declina”… Tendo aceito convite, o Senhor toma, abençoa, reparte o pão e celebra a vida na vida deles quando “os seus olhos se abriram”, reconheceram o Mestre e disseram um ao outro: “não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho”[4] e imediatamente, levantaram-se e retornaram a Jerusalém, para a comunidade dos discípulos.

É este o grande apelo da páscoa, voltar à comunidade, isto é, à Igreja e experimentar de fato a presença do Ressuscitado na escuta da palavra e no sacramento celebrado.

Feliz e Santa Páscoa.

 

Pe. Ronaldo Francisco Aguarelli,
Pároco


[1] Ex 12,14

[2] Santo Agostinho, Sermão da Vigília Pascal

[3] Lc 24,5-6

[4] Lc 24,28-32

[5] Lc 24,28-32

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